Sobra mosquito, falta saneamento

No discurso que fez em plenário, nesta segunda-feira (22/2), o líder do PV, senador Alvaro Dias disse que os problemas causados pelo mosquito aedes aegypt são conhecidos pelas autoridades há muitos anos, e que há irresponsabilidade por parte do governo quando se trata de oferecer à população segurança em matéria de saúde.

Segundo o senador, um estudo realizado em 2010 pela Fundação Nacional de Saúde, abordando impacto na saúde e no Sistema Único de Saúde, decorrentes das doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado, já demonstrava que, além das diarreias, a hepatite A e a dengue ocupavam lugar de destaque. “ De lá para cá, pouco foi feito para minimizar os impactos de uma situação que já era grave”, disse.

Outro estudo destacado por Alvaro Dias foi feito pela Confederação Nacional da Indústria, em janeiro de 2016, e demonstrou a situação de calamidade que caracteriza a coleta e o tratamento de esgoto no Brasil, como consequência da burocracia, incompetência na gestão e baixa média histórica de investimento no setor que foi de 7,6 bilhões por ano, no período de 2002 a 2012.

“A realidade do serviço de esgoto é trágica e nefasta. Em 2013, apenas 48% dos brasileiros dispunham de coleta de esgoto e um percentual ainda menor, 39%, contavam com algum tipo de tratamento sanitário. Em números integrais, 41 milhões de brasileiros não dispunham do acesso à rede geral de abastecimento de água e 107 milhões tinham seus resíduos de esgoto despejados in natura no ambiente. Isso significa que a cada ano quase 6 milhões de metros cúbicos de esgoto são despejados diretamente no meio ambiente sem qualquer tratamento”, destacou o senador.

Alvaro Dias falou também sobre as diferenças regionais, que agravam o problema. Na Região Norte, a coleta de esgoto atende a apenas 6,5% da população, e 14,7% do esgoto coletado é tratado. Na Região Nordeste, 22% da população é atendida por coleta de esgoto e 28,8% do esgoto é tratado. O Sudeste é a região em melhor condição: coleta 77,3% do esgoto e trata 43,9%.

“Em números absolutos, o Brasil coleta 48,6% de esgoto produzido pela população. O que demonstra o atraso com relação aos mais variados países do mundo. Aliás, esse é o indicador de subdesenvolvimento. Isso mostra por que nós somos considerados um país de terceiro mundo”, finalizou o senador.

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