Desigualdades regionais, desafio para melhoria da educação

A Comissão de Educação realizou, na manhã desta terça-feira (22), audiência pública para discutir o Plano Nacional de Educação, relatado pelo senador Alvaro Dias. A primeira a falar na audiência foi a socióloga e educadora Maria Alice Setúbal, que criou em 1987 o Centro de Pesquisa para Educação e Cultura (Cenpec), referência nacional na produção de material didático, formação de professores e avaliação das escolas. Na sua fala, Maria Alice defendeu ser preciso ouvir diferentes segmentos da sociedade, que, para ela, quer se manifestar sobre a educação.

“Nós da área de educação temos que reconhecer que hoje esse assunto é pauta da sociedade. E para corresponder ao que anseia a sociedade, precisamos enfrentar a questão da desigualdade, senão não conseguiremos melhorar nossos indicadores de qualidade no setor educacional”, afirmou ela, dizendo que é preciso recurso e também melhoria da gestão para implementar mudanças e melhorar a qualidade da educação. “Enquanto tivermos a desigualdade que vemos no País, principalmente pela falta de condições vistas no interior e na área rural, não poderemos cobrar dos professores, das escolas, que eles mostrem à sociedade bons resultados. Sem dar condições necessárias para que escolas possam responder por resultados, estaremos aumentando a desigualdade entre as escolas”, disse Maria Alice.

Em sua fala aos senadores, Maria Alice elogiou ainda o PNE que, segundo ele, avançou em muitos pontos, como na valorização do professor. “Não vamos ter educação melhor do que a qualidade dos professores, portanto, temos que aprovar um plano em que sobressaia a questão da valorização do professor, da carreira”. A educadora informou na audiência que o Brasil possui hoje um déficit de cerca de 250 mil professores, e defendeu que na discussão do Plano Nacional de Educação, esteja presente o incentivo para atrair novos professores. “É fundamental neste Plano a valorização do professor. Não podemos tratar apenas de salário, mas de garantir condições para que ele tenha uma carreira com progressão. Assim, iremos atrair os profissionais e preencher o déficit que o País possui em matérias como química, ciência, exatas, entre outras”, concluiu a educadora do Cenpec.

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