As taças da desorganização e do superfaturamento já são nossas

Desde que a Fifa anunciou o Brasil como o país anfitrião da Copa do Mundo de 2014, ainda no ano de 2007, as autoridades do governo de então, apesar das desconfianças em torno da capacidade do país de organizar uma competição irretocável, prometeu realizar o melhor torneio de todos os tempos. O governo brasileiro garantiu o sucesso absoluto da empreitada, prometendo aeroportos completamente remodelados, novas e modernas opções de transporte público nas cidades-sede e obras viárias que transformariam a rotina das capitais e melhorariam a mobilidade urbana de todos, sem falar nas modernas arenas que seriam erguidas para o torneio, que prometiam fazer o futebol brasileiro dar um enorme salto qualitativo. Anunciava-se também uma importante evolução no setor de serviços, com expansão significativa da rede hoteleira e qualificação profissional para centenas de milhares de trabalhadores.

Matéria da revista Veja mostra que, passados sete anos desde que o Brasil se tornou o país-sede da Copa, todas as melhorias prometidas ficaram muito aquém do que era propagandeado pelo governo. No setor hoteleiro, por exemplo, novas unidades foram construídas, mas a carência de leitos em algumas das sedes persiste – além do fato de muitos projetos que ganharam financiamento público para a Copa jamais terem saído do papel, como relata a “Veja”. Entre os funcionários do setor de serviços, as melhorias são incipientes – as iniciativas para incrementar sua capacitação foram tímidas demais. O domínio de um segundo idioma, por exemplo, ainda é menos frequente do que os visitantes estrangeiros esperam.

No decorrer dos preparativos para a competição, a população brasileira viu seus piores temores confirmados nas obras ligadas ao evento – gasto excessivo de verba pública, planejamento falho, prioridades equivocadas –, e pela propagação, mundo afora, dos mais incômodos clichês sobre o país: o banditismo, a bagunça, o improviso e a instabilidade. Do lado de fora das caríssimas arenas erguidas para o torneio, com uma delas chegando a custar quase R$ 2 bilhões para ser construída, a frustrante realidade do país-sede, principalmente em relação à má qualidade dos serviços públicos oferecidos aos brasileiros, contrasta de maneira dramática com a qualidade do evento, “padrão Fifa”.

A revista Veja, em seu site, lista alguns dos erros cometidos pelas autoridades públicas na organização da Copa do Mundo:

1 – Estádios demais
Como poderia ter sido: A Fifa ficaria satisfeita com apenas oito estádios, o suficiente para o evento
O que o país fez: Para aumentar o número de cidades envolvidas – e atender aos pedidos do maior número possível de governadores e prefeitos –, ampliou o número para doze arenas
Qual foi a consequência: Além de encarecer todo o evento, criou dois problemas. Sem investidores privados para bancar estádios em capitais sem clubes de grande torcida, usou-se dinheiro público. Além disso, algumas das arenas poderão virar elefantes brancos depois do Mundial;

2 – Viagens em excesso
Como poderia ter sido: A Fifa pretendia dividir o país em 4 regiões para facilitar os deslocamentos
O que o país fez: Para evitar uma briga entre as diferentes regiões pela honra de sediar os jogos da seleção brasileira, não aceitou separar os oito grupos pelos critérios geográficos
Qual foi a consequência: Muitas seleções (e seus torcedores) terão de fazer longas viagens logo na primeira fase da Copa, aumentando dramaticamente o número de deslocamentos pelo país – e elevando, portanto, o risco de problemas nos aeroportos, que ficarão bem mais cheios;

3 – Obras atrasadas
Como poderia ter sido: O Brasil teria facilitado tudo caso tivesse definido rapidamente suas sedes
O que o país fez: Com 17 candidatas a receber os jogos, o governo demorou dois anos para apontar as escolhidas. Em São Paulo, a indefinição em torno do estádio da Copa durou quatro anos
Qual foi a consequência: Por ter desperdiçado tanto tempo para listar os doze estádios, as obras de construção ou reforma ficaram com um prazo apertado demais. Além disso, problemas burocráticos e disputas políticas atrasaram a liberação de linhas de crédito para os projetos;

4 – Projetos frustrados
Como poderia ter sido: Obras de infraestrutura seriam diretamente ligadas à realização do evento
O que o país fez: Na tentativa de contemplar o maior número possível de Estados e municípios, o governo federal colocou na Matriz de Responsabilidades um número excessivo de projetos
Qual foi a consequência: Sem um foco específico nas necessidades do evento – no caso das obras de mobilidade urbana, por exemplo, é o transporte público até os estádios –, as cidades tiveram de lidar com projetos demais, muitos deles inviáveis. Resultado: muitos não vão sair do papel.

Leia mais no site da revista Veja.

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Citações

O foro privilegiado é o protetor daqueles que praticam atos de corrupção e permanecem impunes.

Mais de 90% da população deseja o fim dos privilégios das autoridades.

Só com o fim do foro privilegiado podemos afirmar que todos serão iguais perante a lei.

O foro privilegiado é essa perversidade que impede uma mãe de assistir justiça com a condenação de um criminoso que assassinou o seu filho.

Vamos olhar mais para o campo. A agricultura será a salvação do Brasil no pós-pandemia. A agricultura será fundamental.

Ao longo do tempo, o Brasil valorizou pouco a agricultura, deveria ter valorizado mais.