Agropecuária

Atualmente, a globalização acontece não só naquele país distante, mas também no nosso bairro e na nossa porta. Investidores buscam, cada dia mais, condições de produção favoráveis ao redor do globo, e o Brasil possui algo absolutamente sólido e estratégico, que é o espaço e o clima favoráveis à produção agrícola de qualidade.

A agropecuária é um caso de sucesso no Brasil Senador?
AD: A agropecuária é um patrimônio nacional. Mesmo exposta à competição mundial, vem dando resultados absolutamente interessantes. Enquanto os demais domínios da economia tiveram desempenho negativo de US$ 562 bilhões entre 1990 e 2015, a agropecuária brasileira teve resultado positivo de US$ 942 bilhões no mesmo período. Assim, o Brasil conseguiu resultado positivo na balança comercial de US$ 380 bilhões entre 1990 e 2015. De fato, a agropecuária foi e continua sendo o motor da economia brasileira.

É possível melhorar o ambiente de negócios para a agropecuária?
AD: Sim. E isso é fundamental para contribuir com a alavancagem do crescimento econômico do Brasil. A agricultura é uma atividade de elevado risco, e o seguro rural tem espaço e necessidade para expandir muito. Em 2014, 9,8 milhões de hectares foram segurados no Brasil, o que representou 12% da área plantada, beneficiando 1,5% dos produtores. Nesse mesmo período, nos Estados Unidos foram segurados 83% da área plantada e 1,21 milhão de produtores foram beneficiados. Na China, o seguro atingiu 65% da área agrícola. Atualmente o governo federal disponibiliza aproximadamente R$ 350 milhões para o seguro rural, dobrar e até triplicar esse investimento seria absolutamente razoável, daria segurança econômica e motivaria os agricultores. Além disso, abrandar as tensões sociais no campo e garantir segurança jurídica aos proprietários rurais não é algo que exige grandes investimentos, e sim capacidade e credibilidade para negociar e criar consensos.

Com a profunda crise fiscal brasileira daria para pensar na logística?
AD: Não será tarefa fácil, mas não é impossível. Temos que registrar que os Governos Lula e Dilma endividaram o Brasil para financiar, por meio do BNDES, a construção de logística em Angola, Moçambique, Cuba, Venezuela e Argentina. Esse é o tipo de erro que não podemos mais permitir. No campo da logística voltada para a agricultura, onde o setor privado tem grande vocação para participar, a implantação de um forte programa de financiamento voltado à construção de armazéns privados pode ser uma solução para o setor, e não estaremos emprestando dinheiro a quem não terá condições de pagar. Já a expansão da malha ferroviária e rodoviária, com boa qualidade, ligando o Centro-Oeste brasileiro aos portos, bem como a modernização desses portos, constitui área de grande interesse da iniciativa privada, e a construção de uma modelagem de PPP bem desenhada e com a segurança jurídica necessária, poderia estimular o investimento privado. Afinal, estamos falando de infraestrutura que será de fato utilizada por muitos anos transportando riquezas, e os investidores sabem disso. Talvez seja necessário trazer mais matemáticos e bons contratualistas para o governo, pois desenhar modelos de investimentos com números consistentes e redigir bons contratos é fundamental para se fazer bons negócios.

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